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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O Magalhães e a Paranóia

Se os miúdos não têm computador, manda-se vir porque não têm computador. Se têm um computador por 50 euros, manda-se vir porque podem ir à internet e deparar-se com conteúdos-que-ai-coitadinhos-que-ficam-traumatizados.

Por favor, acho que já chega de profetas da desgraça que acreditam vivamente que a utilização da internet (basicamente o resto dos programas não é posto em causa) pelos miúdos é uma caixa de Pandora prestes a ser aberta.

O título de uma das notícias do Jornal de Notícias de ontem (dia 10) era "Proteja os seus filhos na Internet". Para papás mais distraídos ou que não estivessem com muita paciência para ler muitas letras seguidas aconselhava-se ainda a ensinar "os seus filhos a navegar na Internet de forma segura com as dicas desta infografia". Muito bem, com desenhos e tudo.

Não estará a exagerar-se um tudo-nada? Não entendo como é que (alguns d) os pais estão tão preocupados com a sensibilidade das crianças em relação a conteúdos e divulgação de dados pessoais através da Internet quando esses mesmo pais não têm problemas nenhuns em colocar um televisor no quarto das crianças onde é diariamente impingido um qualquer espectáculo de wrestling ou uma qualquer série de videoclips com músicas da moda onde não faltam nádegas, peitos, simulações sexuais, etc.

Também não vejo muitas preocupações com os leitores de mp3 e similares aos berros durante boa parte do dia chegando ao ponto de por vezes ser insuportável andar de transportes públicos dada a profusão de aparelhos a debitar decibéis ao mesmo tempo. Há ouvidos que estão a ficar seriamente danificados.

E os telemóveis com as chamadas constantes de pseudo-sondagens-de-opinião onde perguntam nomes, moradas, rendimentos, hábitos e outros dados pessoais? Não interessa avisar as crianças para o PERIGO! de dar informações pessoais? E os outdoors anunciantes de revistas com imagens anorécticas que incentivam ao "sexo sem tabus" e "conheça o novo kamasutra" e coisas que tais? E o tipo que aparece todos os dias a tocar em todas as campaínhas do prédio a perguntar qual é o nosso fornecedor de internet e TV e telefone e disto e daquilo? E os palavrões que se dizem em casa? E os anúncios pessoais e impessoais de oferta de serviços da carne do JN? Estão ali. As crianças não vão achar frases do género "MENINA 25 ANOS, Alto Nível, Corpo de Sereia, Olhos verdes e Muito Sensual" um bocadinho estranhas? E limitei-me a passar uma das mais "softs" que encontrei.

Parem lá com o exagero de fazer listas de como proteger o seu filho na internet. Este é apenas mais um assunto que tem que ser falado em casa: COMO TODOS OS OUTROS.

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